Briga no TSE: Tiago Társis enfrenta Michelle e Bia Kicis na disputa pelo Senado

Candidato aponta divergências entre documentos partidários e solicita apuração sobre a composição da chapa que reúne Michelle Bolsonaro e Bia Kicis

O candidato ao Senado pelo Distrito Federal Tiago Társis (Agir) apresentou à Justiça Eleitoral três Notícias-Crime e Representação Criminal Eleitoral na qual pede investigação sobre possíveis irregularidades em atas do Partido Liberal (PL) relacionadas à formação da coligação majoritária para a disputa do Senado nas eleições de 2026.

A representação questiona principalmente informações registradas em atas atribuídas a uma reunião da Executiva Estadual do PL realizada em 5 de agosto, 12 de agosto e 14 de agosto de 2026 . Segundo o documento, haveria divergências entre as atas do PL e as deliberações de outros partidos apontados como integrantes da coligação.

Entre os partidos citados estão PRTB, Democratas e Democracia Cristã (DC).

Divergências entre atas

De acordo com a representação, uma das atas do PL registra o PRTB como integrante da coligação majoritária. O documento apresentado por Tiago, entretanto, mostra que a ata de convenção do próprio PRTB, realizada em 5 de agosto, registrou decisão de não integrar coligação majoritária para o Senado e de lançar candidatura própria.

A representação também questiona a inclusão do Democratas na coligação. Segundo Tiago, documentos do partido indicariam que a formalização de sua participação teria ocorrido posteriormente à data registrada nas atas do PL.

Situação semelhante é apontada em relação ao Democracia Cristã (DC). A representação afirma que uma ata do partido referente a reunião de 5 de agosto registrava posição de neutralidade em relação à disputa pelo Senado, enquanto documentos posteriores teriam formalizado apoio às candidaturas do PL.

Para Tiago, as divergências precisam ser esclarecidas para verificar se os documentos apresentados à Justiça Eleitoral correspondem às decisões efetivamente tomadas pelos partidos.

Quatro versões de ata são questionadas, todas as posteriores a convenção.

Outro ponto apresentado na representação é a existência de duas versões da ata executiva estadual do PL referente à reunião de 5 de agosto.

Segundo o documento, ambas registram a reunião como realizada em 5 de agosto, às 20h30, mas apresentam informações distintas nos registros eletrônicos relacionados ao envio e aos metadados dos arquivos.

A representação também questiona a ausência de assinaturas visíveis nas listas de presença e solicita a apuração da efetiva participação dos integrantes relacionados na ata.

Para verificar as circunstâncias, Tiago pede, entre outras diligências, a análise de imagens de câmeras de segurança da sede do PL, registros eletrônicos, investigação telefônica e telemática além de documentos da Câmara Legislativa do Distrito Federal e a preservação das publicações em redes sociais.

O candidato também solicita perícia técnica nos arquivos e registros relacionados ao sistema eleitoral e interrogatório dos supostos participantes das reuniões.

Pedido de investigação

A representação pede a abertura de procedimento investigatório ou a requisição de inquérito policial eleitoral para apurar se houve eventual inserção de informações falsas em documentos utilizados para fins eleitorais.

Entre as medidas solicitadas estão a tomada de depoimentos dos responsáveis pelas atas e das pessoas relacionadas como participantes da reunião, além da preservação de conteúdos digitais indicados como possíveis elementos de prova.

Tiago também solicita, em caráter de urgência, que sejam suspensos benefícios eleitorais decorrentes da coligação questionada, incluindo recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e tempo de propaganda, até que a regularidade dos atos seja esclarecida.

A representação pede ainda que, caso as irregularidades sejam comprovadas, sejam adotadas as medidas eleitorais e criminais previstas em lei.

Candidato diz fazer campanha sem recursos de grupos políticos, sem fundo eleitoral, sem tempo de rádio e TV, sem empresários apoiando ou qualquer tipo de grupo organizado.

A iniciativa ocorre em uma campanha que o jovem brasiliense se 39 anos se apresenta como uma candidatura de renovação política e independência em relação a estruturas tradicionais de poder.

Segundo o candidato, sua campanha é realizada sem investidores, sem financiamento de grupos políticos e sem apoio de políticos tradicionais, tendo como principal instrumento o contato direto com a população seja na rodoviária e em eventos de candidatos amigos pessoais.

Tiago afirma que sua candidatura está baseada na defesa de uma renovação política que exige coragem para enfrentar estruturas do sistema e disposição para responsabilizar quem comete irregularidades, independentemente de posição política.

Ao mesmo tempo, o candidato afirma que pretende manter uma campanha aberta ao diálogo, com disposição para conversar, ouvir demandas e compreender os problemas apresentados pela população para resolver os problemas seja com quais governantes sejam eleitos.

A estratégia combina, segundo ele, fiscalização das instituições e participação direta do eleitor no debate sobre os problemas do Distrito Federal e soberania do Brasil.

Denúncia ainda depende de apuração

A representação apresentada por Tiago Társis não comprova, por si só, a ocorrência de fraude ou falsidade ideológica. As irregularidades descritas são alegações submetidas à apreciação da Justiça Eleitoral e dependem de investigação e análise das provas.

O ponto central do pedido é esclarecer se as atas utilizadas no processo eleitoral correspondem às reuniões realizadas, se é que foram realizadas, às decisões efetivamente tomadas pelos partidos e à composição real da coligação nas datas e locais registrados nos documentos.

Caso a investigação confirme irregularidades, caberá à Justiça Eleitoral e às autoridades competentes definir as consequências jurídicas e eleitorais.

A representação, portanto, coloca sob questionamento a regularidade documental da coligação e pede que a Justiça Eleitoral esclareça os fatos antes que as alegações sejam tratadas como comprovadas.

Em caso de comprovação das denuncia as penalidades vão de indeferimento das candidaturas, cancelamento das candidaturas e atos das reuniões, cancelamento dos votos atribuídos as candidaturas, desarranjo da composição de coligação para candidatura isolada e até punições penais com condenação criminal dos envolvidos, além da não utilização do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.